Até 11 horas de estudo por dia: a rotina da brasileira medalhista em olimpíada de matemática

Cálculos sem fim: como é a rotina de medalhista em olimpíada de matemática Rotinas diárias de estudos que chegam a 11 horas e finais de semana dedicados ao...

Até 11 horas de estudo por dia: a rotina da brasileira medalhista em olimpíada de matemática
Até 11 horas de estudo por dia: a rotina da brasileira medalhista em olimpíada de matemática (Foto: Reprodução)

Cálculos sem fim: como é a rotina de medalhista em olimpíada de matemática Rotinas diárias de estudos que chegam a 11 horas e finais de semana dedicados aos problemas matemáticos mais difíceis. A paixão pelos números molda a rotina da estudante Heloísa Mysczak, de 17 anos, que conquistou na França mais uma medalha em olimpíadas da categoria. O bronze na European Girls' Mathematical Olympiad foi a 15ª premiação em competições de exatas da moradora de Valinhos (SP) desde 2022. "A maior parte do meu estudo ocorre no final de semana, quando eu passo quase o dia inteiro só tentando fazer alguns problemas mais difíceis. Às vezes demora um dia ou o final de semana inteiro para sair", diz Heloísa. Durante a semana, a estudante vive rodeada pelos números. Aproveita as aulas de matemática na escola para estudar para as olimpíadas, aprendendo o conteúdo com antecedência. À tarde, dedica-se a novas matérias com livros e materiais online, e à noite, revisa os exercícios em que sentiu mais dificuldade. ↔️ Sai celular, entram crochê e séries 📵 Heloísa explica que um dos segredos para manter o foco é esconder o celular longe do ambiente de estudo. Além da disciplina, ela descobriu que o descanso é uma ferramenta poderosa. Hobbies como fazer crochê, ler ou assistir séries ajudam a aliviar a mente para resolver problemas difíceis. "Você volta com uma outra mentalidade e consegue ter ideias novas. Principalmente antes de provas, eu prefiro muito mais relaxar do que estudar", afirma. Heloísa Mysczak na 15ª edição da European Girls' Mathematical Olympiad (EGMO), realizada em Bordeaux, na França Ana Paula Chaves 'Saber o simples bem' Diante de resultados tão expressivos e do gosto pelo desafio, a recomendação da medalhista para outras meninas interessadas na área não envolve a repetição de sua rotina ou fórmulas mirabolantes. Para Heloísa, o importante "é saber o simples bem". "Minha recomendação final é ter uma boa base de conteúdo e problemas. Muitas vezes não importa saber um conteúdo superdifícil, mas sim saber o simples bem. Se você conseguir ser uma pessoa constante e sempre fazer os problemas considerados fáceis, você já estará na frente da maioria das pessoas", orienta. A estudante conta que costuma utilizar materiais online para ter uma base de conteúdo, em especial os disponíveis na Olimpíada Brasileira de Matemática, além de devorar livros. Resolver problemas variados, de diferentes olimpíadas de matemática, também é uma dica importante para quem deseja competir na área, diz a jovem. Motivada pelo desafio Nascida em Curitiba (PR), Heloísa afirma que sempre foi uma aluna aplicada e se interessou por diversas áreas, como física, química e até esportes. O pai, Rafael Mysczak, conta com orgulho que a filha sempre foi muito curiosa com tudo. "Ela queria ver coisas de ciência, então, tudo que eu podia dar, eu comprava. 'Vamos fazer experiências de química?', eu comprava as coisas para fazer experiências de química, de física. A gente assistia Cosmos [série de TV], ela adorava, sabe?", recorda. A paixão pela matemática surgiu após a pandemia da covid-19, quando a falta de motivação com o fim da prática esportiva a levou a buscar novos desafios. Entre 2022 e 2023, Heloísa encontrou nos problemas matemáticos a emoção que procurava. Nesse período, ela chegou a frequentar como aluna ouvinte as disciplinas de Funções, Cálculo 1 e Teoria dos Números na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Um fator que marcou a família foi que Heloísa encontrou resistência para encarar os números justamente no espaço em que deveria ser estimulada a superar os desafios: a escola. "No começo, em Curitiba, ela enfrentou preconceito até de professores. Porque ela queria fazer as olimpíadas mais difíceis, e os professores chegavam para ela e diziam: 'Não, nem perca tempo, isso daí é muito difícil, você não vai conseguir'", recorda Rafael. Bolsa de estudo e mudança para o interior de SP A virada aconteceu em 2024, quando a família deixou a capital paranaense e mudou-se para o interior de São Paulo, após a jovem ganhar uma bolsa de estudo integral em um colégio particular de Valinhos. Nesse espaço, Heloísa ganhou estrutura e incentivo para se dedicar aos estudos e às competições. 🏆 Desde 2022, Heloísa já soma 15 premiações em competições de matemática, incluindo a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Medalhas conquistadas por Heloísa Heloísa Mysczak *Estagiária sob supervisão de Fernando Evans VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.