De perseguição da PM a 'toque de recolher': o que se sabe sobre mortes de suspeitos de integrar facção em Ribeirão Preto

Policiais bloqueiam a Via Norte em Ribeirão Preto, SP, após abordagem a carro de suspeitos de transportar armas Câmeras de segurança/Reprodução Uma operação da ...

De perseguição da PM a 'toque de recolher': o que se sabe sobre mortes de suspeitos de integrar facção em Ribeirão Preto
De perseguição da PM a 'toque de recolher': o que se sabe sobre mortes de suspeitos de integrar facção em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução)


Policiais bloqueiam a Via Norte em Ribeirão Preto, SP, após abordagem a carro de suspeitos de transportar armas Câmeras de segurança/Reprodução Uma operação da Polícia Militar que resultou na morte de dois homens suspeitos de integrar uma facção criminosa assustou moradores na tarde de quarta-feira (21), na Avenida Eduardo Andrea Matarazzo (Via Norte), em Ribeirão Preto (SP). Mesmo após o término da intervenção policial, a circulação de supostas ameaças de represálias e avisos de "toque de recolher" nas redes sociais provocou um clima de insegurança na cidade, levando comerciantes a fecharem as portas mais cedo e pais a buscarem alunos nas escolas da Zona Norte. Os homens que morreram baleados foram identificados como Vinicius de Jesus, de 32 anos, e Alexsandro Calisto Gomes, de 40 anos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A Polícia Militar informou que os ocupantes do veículo transportavam armas de grosso calibre e reagiram à abordagem. A PM classificou as mensagens sobre toque de recolher como boatos decorrentes de um "efeito manada" e descartou qualquer ordem de restrição, mas confirmou o uso de tropas para garantir a segurança da população. Polícia Militar reforça patrulhamento na zona Norte de Ribeirão Preto após mortes Entenda abaixo o que se sabe sobre a abordagem que terminou com mortes em Ribeirão Preto: Como foi a operação? A intervenção ocorreu na pista da Via Norte em direção aos bairros da Zona Norte, no trecho próximo ao cruzamento com a Avenida Thomaz Alberto Whatelly. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do 11º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) fazia patrulhamento ostensivo quando recebeu a informação de que um HB20 cinza transportava armas de fogo. Imagens de câmeras de segurança registradas no momento da ação mostram viaturas emparelhadas com o veículo dos suspeitos durante a perseguição. Viaturas da PM na Via Norte, onde suspeitos foram mortos durante abordagem policial em Ribeirão Preto (SP). Fabiano Minatto/EPTV Em seguida, as gravações mostram os policiais posicionando uma viatura atravessada na avenida para bloquear a pista. O bloqueio e os disparos provocaram pânico entre motoristas e pedestres que passavam pela região, levando condutores a darem ré e a trafegarem dirigirem na contramão para fugir do local. A Polícia Científica esteve no local e recolheu ao menos 19 cápsulas deflagradas espalhadas pelo asfalto. Por conta dos trabalhos periciais e do isolamento do trecho, o trânsito no sentido bairro ficou interditado durante a tarde. Vinicius de Jesus, de 32 anos, e Alexsandro Calisto Gomes, de 40 anos, mortos a tiros durante abordagem da PM por suspeita de estar com armas no carro em Ribeirão Preto (SP). Reprodução Quem são os suspeitos que morreram? Os dois ocupantes do veículo que morreram no confronto foram identificados como Vinicius de Jesus, de 32 anos, e Alexsandro Calisto Gomes, de 40 anos. Segundo relatos da irmã de Vinicius, a auxiliar de limpeza Vitoria Cristina de Jesus, o irmão morava no bairro Adelino Simioni, era casado e ajudava na criação de duas enteadas. Ela explicou que o HB20 utilizado por ele era alugado há cerca de duas semanas, pois o automóvel próprio de Vinicius estava na oficina mecânica. Vitoria confirmou que o irmão possuía passagens anteriores pela polícia, mas ressaltou que ele já havia cumprido suas penas e não tinha pendências judiciais. O tenente-coronel da Polícia Militar de Ribeirão Preto (SP) Luiz Ulian Junqueira Reprodução/EPTV O que diz a polícia sobre a operação? Segundo nota oficial e declarações do tenente-coronel Luiz Ulian Junqueira, os agentes do Baep decidiram realizar a abordagem após identificarem armas no interior do automóvel. A polícia alega que, ao receberem a ordem de parada, os ocupantes do veículo reagiram. “No momento da abordagem, houve a menção do saque da arma de fogo por conta dos infratores, a equipe do Baep reagiu e houve o confronto e a troca de tiros”, explicou Junqueira. Dentro do carro, a PM apreendeu quatro armas de fogo: duas pistolas e duas submetralhadoras. Nenhum policial militar ficou ferido na ação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas os dois homens não resistiram aos ferimentos. Suspeitos de integrar facção são mortos a tiros pela PM em SP; testemunha relata desespero O que dizem familiares dos suspeitos? A irmã de Vinicius de Jesus contestou a versão da abordagem e cobrou rigor nas investigações. Ela afirmou que soube do caso pela televisão e por uma ligação enquanto retornava do trabalho. “Foi uma troca de tiro, assim eles disseram, mas a gente quer que a justiça seja feita, a gente quer câmera, a gente quer as provas, a gente quer tudo, porque ele não é indigente, ele tem família”, disse Vitoria Cristina de Jesus. A irmã ressaltou que o irmão estava a caminho de casa e criticou a falta de detalhes repassados aos parentes que compareceram ao local. A defesa das famílias informou que acompanhará o trabalho da polícia e o acesso às provas periciais. LEIA TAMBÉM Imagens mostram perseguição da PM a carro de suspeitos mortos em abordagem em Ribeirão Preto, SP 'Foi desesperador': testemunha relata pânico e carros na contramão durante operação da PM com mortes em Ribeirão Preto Tenente-coronel da PM nega 'toque de recolher', mas confirma reforço em policiamento após operação com mortes em Ribeirão Preto Suspeitos de integrar facção são mortos a tiros pela PM em Ribeirão Preto; moradores relatam toque de recolher Indicações das cápsulas de arma de fogo usadas em operação que resultou na morte de suspeitos de integrar facção em Ribeirão Preto (SP). Fabiano Minatto/EPTV Houve toque de recolher na cidade? Autoridades de segurança, órgãos públicos e entidades de classe descartaram qualquer ordem oficial de toque de recolher em Ribeirão Preto. Após a confirmação das mortes, comerciantes e moradores dos bairros Adelino Simioni e Quintino Facci relataram ter recebido mensagens em redes sociais com ameaças de represálias. Por precaução, supermercados e lojas da Zona Norte fecharam as portas mais cedo. O tenente-coronel Luiz Ulian Junqueira classificou os avisos como boatos sem comprovação. “Nós não temos nenhuma informação de toque de recolher. O que acontece é o bendito do efeito manada. Às vezes começa um receio de uma pessoa que começa a compartilhar com outra, outra, sem certeza da informação que está recebendo e as pessoas, às vezes, ficam incomodadas com isso”, afirmou o comandante. Comércio fechou as portas na Avenida Magid Simão Trad, no Adelino Simioni, em Ribeirão Preto (SP), após mortes em confronto com a PM Fabiano Minatto/EPTV A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) informou que não recebeu orientação para fechamento de lojas e orientou os comerciantes a manterem a calma e consultarem fontes oficiais. A Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo confirmaram que as aulas não foram suspensas e que as unidades continuaram funcionando normalmente, embora pais que optaram por buscar os filhos antecipadamente tenham sido liberados. O Consórcio PróUrbano e a Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto (RP Mobi) informaram que a frota operou regularmente, sem redução de ônibus, prevendo apenas desvios pontuais de itinerário se necessário. Armas apreendidas pelo Baep durante operação na Via Norte, com dois suspeitos presos em Ribeirão Preto (SP). Divulgação/ Baep Como serão as investigações? A apuração sobre as circunstâncias da morte dos dois suspeitos e a conduta da abordagem policial seguirá duas frentes oficiais: um inquérito policial militar e um inquérito da Polícia Civil. Como será o trabalho preventivo de segurança? Para conter a sensação de insegurança, a Polícia Militar montou um plano de policiamento ostensivo em Ribeirão Preto com reforço de tropa tática em horários estratégicos e patrulhamento contínuo durante a madrugada. Além disso, o planejamento prevê um monitoramento em vias de grande circulação e pontos de embarque de passageiros na Zona Norte, uso do helicóptero Águia e atuação conjunta com autoridades municipais. “A nossa resposta vai ser com o emprego maciço de efetivo de Força Tática, policiais militares para proteger toda aquela região, os corredores, os pontos de ônibus, para evitar que aconteça qualquer incidente que cause algum temor à população”, concluiu o tenente-coronel Junqueira. PM isola área após confronto que terminou com dois homens mortos em Ribeirão Preto, SP Fabiano Minatto/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região