Quem é o brasileiro que luta na Ucrânia após perder R$ 340 mil em bets

Brasileiro perde R$ 340 mil em apostas e se alista na guerra da Ucrânia para vencer vício O carioca Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, tomou uma decis...

Quem é o brasileiro que luta na Ucrânia após perder R$ 340 mil em bets
Quem é o brasileiro que luta na Ucrânia após perder R$ 340 mil em bets (Foto: Reprodução)

Brasileiro perde R$ 340 mil em apostas e se alista na guerra da Ucrânia para vencer vício O carioca Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, tomou uma decisão extrema para tentar retomar o controle da própria vida. Após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line, ele deixou o litoral de São Paulo e alistou-se no Exército da Ucrânia. O caso ganhou repercussão após o combatente relatar que a ida para a guerra foi a forma que encontrou para vencer a ludopatia, que é o vício em jogos de azar. "Eu precisava sair daquele ambiente para mudar o meu raciocínio, sair daquela prisão mental", desabafou ao g1. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Vida antes da guerra Natural do Rio de Janeiro (RJ), Moita cresceu no município de São Gonçalo (RJ). Em 2022, ele se mudou para Iguape, no litoral paulista, após obter a guarda do filho. Na nova cidade, o brasileiro passou a trabalhar com vendas de eletrônicos e como motorista de aplicativo. No entanto, todo o dinheiro conquistado nos serviços acabou sendo consumido pelas plataformas virtuais de apostas. Thiago Morais da Silva Moita, 35 anos, luta na guerra da Ucrânia Reprodução/Instagram O vício O ápice do transtorno ocorreu quando Moita perdeu R$ 75 mil em um único dia. A decisão de mudar os rumos da vida aconteceu após uma psicóloga revelar que ele apresentava indícios de um quadro de ludopatia. "Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?", relatou o combatente. Para tentar frear os gastos, ele chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular. A decisão e a rotina Com uma família formada por militares, Moita decidiu ingressar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. A atitude não foi bem recebida por parte dos parentes, mas ele afirma que o desafio mudou sua percepção sobre o dinheiro. Na farda, o brasileiro carrega a tarja de identificação com o apelido "BadBoy", nome que usava com um grupo de amigos na infância em São Gonçalo. A rotina no país europeu inclui missões que duram de uma semana a 40 dias e treinamentos diários de 12 horas para manuseio de armas, minas, granadas e explosivos. Os riscos Cenário de guerra na Ucrânia Jornal Nacional/ Reprodução Moita explicou que não atua nas equipes de "assalto", que ficam na linha de frente em confrontos diretos com os russos. Apesar disso, a tropa convive com a ameaça constante de ataques com drones e mísseis. Logo que chegou ao país, ele sobreviveu a um ataque direto contra a base onde estava alocado. "Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá", disse. Em outra ocasião, escapou de um bombardeio fatal que deixou dezenas de mortos e vitimou um colega brasileiro, pois havia sido transferido de região a tempo. Futuro O contrato militar prevê um mês de férias. Com isso, Moita tem retorno previsto ao Brasil entre novembro e dezembro deste ano. Após esse período de descanso, o brasileiro precisará tomar uma nova decisão: rescindir o acordo com as Forças Armadas ou cumprir os próximos três anos representando o Exército Ucraniano. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou.