Sistema de rádio do Samu de Sorocaba tem novo apagão e equipes atendem casos de paradas cardiorrespiratórias pelo WhatsApp: '100% sem rádio'
Sistema de rádio do Samu de Sorocaba tem novo apagão O sistema de rádio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Sorocaba (SP) voltou a sofr...
Sistema de rádio do Samu de Sorocaba tem novo apagão O sistema de rádio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Sorocaba (SP) voltou a sofrer com problemas técnicos que complicaram o trabalho dos agentes nesta semana. Por conta disso, casos graves, como duas paradas cardiorrespiratórias (PCRs) registrada na quinta-feira (23), são comunicadas pelo aplicativo WhatsApp. O serviço já havia enfrentado um apagão no dia 9 de abril, o que acarretou complicações no atendimento por pelo menos três dias. Agora, a situação ocorre desde segunda-feira (20). 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Ao contrário da primeira vez, quando a comunicação era feita com cada agente, um grupo no aplicativo WhatsApp foi criado para comunicar as ocorrências. A Prefeitura de Sorocaba informou que 90% do sistema estão funcionando (leia a nota completa ao fim da reportagem). Funcionários relataram ao g1 que a criação do grupo não amenizou o problema. Pelo contrário, teria escancarado ainda mais as deficiências geradas pela falta do sistema de comunicação. É o caso, por exemplo, do que foi registrado na quinta-feira (23), quando duas paradas cardiorrespiratórias foram atendidas pelo aplicativo. Além da demora no atendimento, os agentes temem que possam ser responsabilizados por eventuais falhas geradas pela situação atual. "Todo mundo revoltado aqui. É o absurdo do absurdo isso", comenta um funcionário, que preferiu não se identificar. Sistema de rádio do Samu de Sorocaba (SP) tem novo apagão e equipes atendem casos de paradas cardiorrespiratórias pelo WhatsApp Reprodução/WhatsApp QAP significa 'na escuta'; QTI significa 'deslocando'; enquanto QTH indica a localização Reprodução Situação contraria norma do Samu A Portaria número 2.048, de 5 de novembro de 2002, normatiza o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel e estabelece regras que vão desde as especializações da equipe médica até as características dos veículos e os equipamentos a serem utilizados nas ambulâncias. LEIA TAMBÉM: Samu de Sorocaba opera pelo terceiro dia seguido com apagão no sistema de rádios das ambulâncias Samu Animal realiza mais de 3 mil atendimentos a cães e gatos em Sorocaba desde 2021 Com presença de ministro da Saúde, Santa Casa de Sorocaba inaugura nova ala de UTI Nesta norma, a principal referência técnica do Samu no Brasil, o rádio aparece como equipamento obrigatório. Tanto as ambulâncias de Suporte Básico quanto as de Suporte Avançado devem estar equipadas com rádio-comunicação fixo e móvel. A norma também determina que: As viaturas de atendimento pré-hospitalar (Unidades de Suporte Básico e Avançado) devem estar equipadas com meios de comunicação confiáveis, incluindo rádio fixo e portátil; O rádio é considerado obrigatório para garantir a comunicação contínua entre a equipe em campo e a Central de Regulação Médica, que coordena os atendimentos; A comunicação deve ser registrada e rastreável, assegurando controle e segurança operacional; O sistema de telecomunicação deve ser redundante: mesmo com a introdução de celulares e tablets, o rádio continua sendo exigido como canal seguro e prioritário. Samu de Sorocaba (SP): apagão no sistema de rádios afeta ambulâncias Michelle Alves/Prefeitura de Sorocaba Rádio-operador Para o Ministério da Saúde, a importância do rádio é tão grande que a mesma portaria criou uma função específica para operá-lo dentro da Central de Regulação. O rádio-operador é definido como o profissional de nível básico habilitado a operar sistemas de radiocomunicação e realizar o controle operacional da frota de veículos do sistema de atendimento pré-hospitalar móvel, mantendo a equipe de regulação atualizada a respeito da situação operacional de cada veículo. Isto é, há uma pessoa dedicada exclusivamente a manter esse canal funcionando, 24 horas por dia, todos os dias do ano. A Portaria 2.048 de 2002 exige que sejam disponibilizados equipamentos de radiocomunicação para os médicos reguladores, permitindo a regulação médica via rádio de todas as equipes em atendimento. Isso significa que o sistema precisa de um canal próprio, protegido de interferências externas, disponível a qualquer momento, inclusive quando as redes de telefonia celular estejam congestionadas ou fora de operação. O que diz a prefeitura Em nota, a Prefeitura de Sorocaba argumentou na quinta-feira (23) que o sistema de radiocomunicação do Samu está operando em cerca de 90% do território do município. "Em algumas localidades, a limitação de cobertura é suprida por meio do uso de celulares corporativos, garantindo a continuidade do atendimento sem prejuízo à população", diz. "A indisponibilidade parcial do sinal ocorreu devido à queda da torre que abrigava a repetidora de rádio, estrutura que havia sido cedida e que não fazia parte do escopo do contrato vigente. Como medida emergencial, os equipamentos foram reinstalados no ponto mais alto disponível, no prédio do Corpo de Bombeiros, o que permitiu restabelecer grande parte da cobertura, ainda que com algumas áreas de sombra." Por fim, disse que o município já está em processo de adesão a uma nova ata para contratação de uma solução mais moderna, que não depende de torre ou repetidora. "A previsão para conclusão é de até três meses." Apesar de a prefeitura falar em 90% do sistema em funcionamento, os agentes negam a situação. Uma mensagem em um grupo do aplicativo de conversa mostra que o problema atinge 100% da operação. Problema recorrente Esta não é a primeira vez que o sistema de rádio do Samu apresenta problemas. No início de abril, o g1 mostrou o apagão no sistema de rádio do serviço. Na ocasião, funcionários da prefeitura afirmaram que tanto as viaturas quanto a central de regulação estavam enfrentando problemas com a falta do sistema. Sem os rádios, a central de regulação, em vez de repassar informações, solicitações e coordenadas pelo equipamento, estava ligando nos celulares das equipes. À época, a Secretaria da Saúde informou que "o serviço estava sendo realizado normalmente, sem prejudicar qualquer atendimento, pois o contato dos operadores do Samu com os profissionais das ambulâncias está sendo feito desde então com celulares corporativos". Por outro lado, desde 2018, a empresa contratada pela Prefeitura de Sorocaba para atender a telecomunicação já recebeu R$ 1,3 milhão, conforme o Portal da Transparência. Samu de Sorocaba (SP) opera com apagão no sistema de rádios nas ambulâncias Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM