Tarcísio e Haddad fazem 1º debate nacionalizado, com dados e embates sobre PCC, tarifaço de Trump e privatizações

Debate entre Haddad e Tarcísio na Band Renato Pizzutto/Band Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) p...

Tarcísio e Haddad fazem 1º debate nacionalizado, com dados e embates sobre PCC, tarifaço de Trump e privatizações
Tarcísio e Haddad fazem 1º debate nacionalizado, com dados e embates sobre PCC, tarifaço de Trump e privatizações (Foto: Reprodução)

Debate entre Haddad e Tarcísio na Band Renato Pizzutto/Band Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram neste domingo (9), na Band, o primeiro debate do 1º turno, em um encontro com clima de 2º turno. Sem a presença de outros candidatos com representatividade no Congresso, o debate foi marcado pelo confronto de dados, sem ataques pessoais, pela disputa de narrativas sobre o desempenho dos governos de São Paulo e federal e por embates sobre o tarifaço de Trump e o crime organizado. Haddad conduziu sua participação destacando a atuação do governo federal em obras e ações realizadas em São Paulo que, segundo ele, foram omitidas pelo governador,Tarcísio. O petista também buscou vincular o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma tentativa de nacionalizar a disputa. Tarcísio, que inicialmente rejeitou esse tom, depois incorporou a estratégia e passou a elogiar seu padrinho político no segundo bloco, além de criticar a atuação do governo Lula. O programa foi dividido em três blocos, com perguntas do mediador e de jornalistas, além de confrontos diretos entre os candidatos. No primeiro bloco, Tarcísio e Haddad responderam ao mesmo questionamento feito pelo mediador, com dois minutos para cada resposta. Em seguida, houve confronto direto. Cada candidato teve 20 minutos para administrar o tempo da maneira que considerar mais adequada. Por sorteio, Tarcísio foi o primeiro a falar. No segundo bloco, jornalistas do Grupo Bandeirantes fizeram perguntas aos candidatos. Cada resposta teve dois minutos, enquanto comentários e réplicas tiveram um minuto. Foram duas perguntas para cada candidato, com Tarcísio novamente iniciando as respostas. LEIA MAIS: BASTIDORES: Nunes confronta Haddad após debate da Band por citação de corrupção no contrato de Wi-Fi na cidade de SP: 'seja homem e tenha responsabilidade' Tarcísio rebate críticas de Eduardo Bolsonaro às vacinas e diz que todos devem se vacinar contra o sarampo: 'é consagrada e segura' O terceiro bloco foi marcado por um novo confronto direto. Assim como no primeiro, cada candidato teve 20 minutos para administrar seu tempo, mas a ordem foi invertida: Haddad começou. Depois, os candidatos tiveram dois minutos cada para as considerações finais. A ordem também foi definida por sorteio, com Tarcísio falando primeiro e Haddad encerrando o debate. O direito de resposta podia ser solicitado exclusivamente em casos de ofensa moral e pessoal. O pedido deverá ser feito ao mediador imediatamente após a fala do candidato que estiver com a palavra e será avaliado por um comitê formado por jornalistas e um advogado. Se o pedido fosse deferido, o candidato teria um minuto para a resposta, ainda no mesmo bloco. Não houve pedidos de direito de resposta. Debate da Band Renato Pizzutto/Band Educação A primeira pergunta do apresentador do debate foi sobre o desempenho da educação em São Paulo após a divulgação dos resultados do Ideb. Ele destacou que o estado está próximo da média nacional no ensino médio e que avançou menos que a média do país, além de citar estados como Piauí e Pará, com PIB menor, que apresentam resultados superiores. Também mencionou exemplos internacionais, como Chile, Coreia do Sul e Vietnã, e o município de Inajá, no sertão nordestino, que teria alcançado nota 9,8 no Ideb. A pergunta foi sobre quais propostas os candidatos teriam para fazer São Paulo avançar e se tornar uma referência em educação nos próximos quatro anos. Tarcísio de Freitas afirmou que seu governo avançou na alfabetização na idade certa e apresentou como prioridades para os próximos anos o Pacto pela Matemática, a educação tecnológica com inteligência artificial, a formação continuada de professores, a ampliação das escolas de tempo integral, o ensino profissionalizante e a recuperação da aprendizagem. Segundo ele, o estado ampliou em 150 mil o número de matrículas e em quase 500 o número de escolas de tempo integral. Também citou o programa de bolsa-estágio para alunos do ensino médio e programas de tutoria. Fernando Haddad afirmou que a situação da educação em São Paulo é grave. Disse que o estado teria caído da terceira colocação em qualidade do ensino médio e apontou que Piauí, Ceará e Pernambuco teriam ultrapassado São Paulo. Também afirmou que São Paulo está abaixo da média nacional na alfabetização de crianças na idade certa, com 61% contra 66% da média brasileira. Haddad criticou o projeto pedagógico adotado pelo estado, dizendo que houve substituição do livro didático e do professor por aulas em plataformas digitais, e questionou a infraestrutura de internet das escolas. Para ele, há necessidade de ampliar o apoio aos professores e o uso de tecnologias na educação. No primeiro confronto direto, Tarcísio rebateu Haddad e afirmou que os dados deveriam considerar também o ensino profissionalizante. Segundo ele, São Paulo teria passado de 12% para 42% dos alunos do ensino médio em dupla formação, que combina ensino regular e profissional. Ao incluir os estudantes do ensino profissional na avaliação, afirmou que a nota do estado chegaria a 4,5 e que São Paulo teria mantido sua posição, apesar do crescimento do Brasil. Ele também voltou a citar a recuperação da aprendizagem e o programa de tutoria. Tarcísio e Haddad em debate da Band Renato Pizzutto/Band Segurança No primeiro confronto direto, Tarcísio de Freitas começou defendendo os resultados de seu governo em relação à segurança e citou a atuação conjunta do estado com a Prefeitura de São Paulo, o Ministério Público, o Judiciário e a sociedade civil no combate à criminalidade no Centro da capital. Ele destacou as ações relacionadas à Cracolândia, como o combate ao tráfico de drogas, a criação de 700 leitos para desintoxicação e de 44 casas terapêuticas, além de medidas de habitação e assistência social. Segundo Tarcísio, a integração entre investigação e inteligência policial permitiu identificar o funcionamento do crime na região. Ao responder às críticas de Haddad sobre a violência contra a mulher, Tarcísio afirmou que São Paulo apresenta índices de feminicídio e mortes violentas de mulheres inferiores à média nacional. Ele citou dados do Ministério da Justiça e disse que o estado ampliou a rede de proteção, com 144 Delegacias da Mulher e 235 salas DDM funcionando 24 horas. Também mencionou o protocolo Não Se Cale e o Espaço Lilás, instalado nos comandos da Polícia Militar, com policiais femininas treinadas para atender ocorrências. Tarcísio afirmou ainda que o estado estaria buscando os agressores e encaminhando-os para grupos reflexivos e que os indicadores de violência contra a mulher apresentavam redução pelo segundo mês consecutivo. Ele disse que as medidas demonstrariam que as políticas públicas estavam funcionando. Haddad, por sua vez, direcionou a crítica principalmente para a violência contra as mulheres e os crimes raciais. Ele afirmou que São Paulo estaria vivendo uma "epidemia de crimes contra a mulher", citando feminicídio, assédio, lesão corporal e importunação sexual, com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Também disse que os crimes raciais estariam aumentando no estado e questionou Tarcísio sobre o que faria de diferente em um eventual novo mandato. Na réplica, Haddad contestou os dados apresentados por Tarcísio e afirmou que o feminicídio teria crescido 10% em São Paulo no primeiro semestre daquele ano, enquanto teria havido queda de 2,5% no país. "Então, o país está funcionando", afirmou. Em outro momento do debate, Haddad também destacou os roubos de celulares. Ele afirmou que a capital paulista responderia por uma parcela significativa dos roubos de celulares registrados no país e criticou as escolhas do governo em relação à tecnologia, argumentando que o estado teria recursos para investir, mas precisaria adquirir as tecnologias adequadas. O governador também defendeu a composição técnica de seu secretariado e, ao ser questionado sobre o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite, afirmou que sua gestão apresentou resultados. No combate ao crime organizado, Tarcísio rebateu Haddad e disse que a Operação Carbono Oculto começou em São Paulo, com participação da polícia estadual. Ele afirmou ainda que o Ministério Público participou das investigações por meio do Gaeco. Haddad, por sua vez, concentrou as críticas nas escolhas de Tarcísio para a área de segurança e na relação do estado com o governo federal. O candidato afirmou que há insatisfação da população paulista com as escolhas feitas pelo governador e citou o afastamento do comandante-geral da Polícia Militar por supostos vínculos com o PCC. Também criticou a gestão em outras áreas, como educação e saúde. Ao falar sobre o combate ao crime organizado, Haddad destacou a participação do governo federal e da Receita Federal na Operação Carbono Oculto. Segundo ele, a operação foi considerada por um especialista como a maior ação de combate ao crime organizado da história. Haddad também criticou o que considera falta de reconhecimento, por parte de Tarcísio, das parcerias do governo federal com São Paulo. Crime organizado e tarifaço No segundo bloco, o debate teve como temas o túnel Santos-Guarujá, as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o agronegócio e o combate ao domínio territorial de facções criminosas. O momento de maior confronto ocorreu na discussão sobre segurança, quando Tarcísio mencionou uma aparição de Haddad ao lado de uma mulher apontada por ele como traficante. Haddad reagiu, disse que Tarcísio conhecia o tráfico tanto quanto ele e pediu para o governador "baixar essa bola". No início do bloco, Tarcísio e Haddad disputaram o protagonismo em torno do túnel Santos-Guarujá. Tarcísio destacou a parceria entre os governos estadual e federal e afirmou que os recursos dos dois governos já estavam depositados. Também ressaltou que o estado teve papel importante para viabilizar o leilão e afirmou que, embora o aporte seja dividido entre União e estado, a contrapartida estadual representa 84% do valor. Haddad, por sua vez, destacou os investimentos e financiamentos do governo federal em São Paulo e afirmou que o estado recebeu R$ 13,7 bilhões em linhas de financiamento do BNDES. Também citou obras e programas que, segundo ele, dependem de recursos federais. Na discussão sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, Haddad defendeu uma atuação conjunta do país e afirmou que o governo federal criou o Plano Brasil Soberano para dar sustentação às empresas e abrir novos mercados. Tarcísio afirmou que as tarifas prejudicam especialmente setores industriais de São Paulo e apresentou como medidas estaduais a antecipação da devolução de créditos acumulados de ICMS para empresas exportadoras e a criação de linhas de crédito com prazo maior de carência e juros competitivos. Haddad criticou a falta de adesão do estado à renegociação da dívida proposta pelo governo federal e afirmou que a medida poderia ter ampliado a capacidade financeira paulista. Sobre o agronegócio, Tarcísio destacou programas estaduais de financiamento, seguro rural, irrigação, máquinas e equipamentos e afirmou que o estado manteve R$ 1,2 bilhão em recursos do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) ao longo do mandato. Haddad defendeu o fortalecimento do seguro agrícola e a recuperação dos institutos estaduais de pesquisa. Tarcísio respondeu citando a recomposição salarial dos pesquisadores, a valorização da carreira e a realização de concursos públicos. O momento mais acalorado veio na discussão sobre o domínio territorial de facções criminosas. Haddad propôs a criação de um gabinete institucional de segurança pública, presidido pelo governador e com participação das polícias estaduais, Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal e Coaf. Ele defendeu maior integração das inteligências dos órgãos e afirmou que o combate ao crime organizado precisa atingir sua estrutura financeira. Tarcísio respondeu destacando o aumento do efetivo policial e operações de inteligência e asfixia financeira contra o crime organizado. Também citou ações em Paraisópolis e na Baixada Santista e afirmou que seu governo teve coragem para enfrentar grupos criminosos em setores como combustíveis, motéis, revendas de carros importados e transportes. Na sequência, em um momento pouco mais tenso, Tarcísio citou uma imagem de Haddad ao lado de uma mulher que, segundo ele, comandava o tráfico na favela do Moinho. Haddad reagiu e afirmou: "Eu vou saber quem é do tráfico. Você acha que eu conheço o o tráfico como você." Em seguida, questionou: "Se só você sabia que ela era uma traficante, porque você não foi lá prender" e disse que, se soubesse da situação, teria dado voz de prisão. Haddad encerrou a reação dizendo: "Então você respeita, baixa essa bola." Ele voltou a criticar a condução da segurança pública por Tarcísio e afirmou que "só a truculência não vai resolver", defendendo o combate à estrutura financeira do crime organizado. Privatizações No terceiro bloco, Haddad atacou Tarcísio pela defesa das privatizações e cobrou uma avaliação crítica sobre a venda da Sabesp, as concessões de transporte e a instalação do sistema de pedágio free flow. Ao responder, Tarcísio citou obras e investimentos do governo estadual em saneamento, transporte e educação. Haddad então chamou o governador de “meio de decoreba” e disse que ele usava nomes de bairros, cidades e números para tentar intimidá-lo e desviar do que havia sido perguntado. “Tarcísio, você é meio decoreba. Concurseiro que joga um monte de números pensamos que me intimida. Você precisa fazer uma avaliação crítica das privatizações. Um trem explodiu duas semanas atrás", disse. O embate avançou para os investimentos do estado, a participação do governo federal em obras e ações em São Paulo, a saúde e a chamada tabela SUS Paulista. Haddad questionou os resultados da gestão estadual e citou dados oficiais para contestar os números apresentados por Tarcísio. O governador rebateu, apresentou outros indicadores e afirmou que São Paulo vive recordes em áreas como cirurgias, habitação e investimentos em infraestrutura. No fim do bloco, os dois voltaram a divergir sobre os investimentos do governo Tarcísio e o legado de gestões anteriores. Considerações finais Nas considerações finais, Tarcísio defendeu os resultados de sua gestão e pediu ao eleitor uma nova oportunidade para continuar no governo. Destacou avanços nas áreas de segurança, educação, saúde, habitação e infraestrutura e prometeu ampliar investimentos, o transporte sobre trilhos e o uso de inteligência artificial nos serviços públicos. Haddad, por sua vez, afirmou que Tarcísio não cumpriu promessas e criticou o fato de o governador apresentar obras ainda em andamento como resultados de sua gestão. O petista também defendeu o legado de sua passagem pela Prefeitura de São Paulo, afirmando que hospitais e outras obras que começaram em sua gestão foram entregues posteriormente. Ao criticar o prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio, disse que o prefeito tem R$ 80 bilhões em caixa, mas estaria endividando a cidade em R$ 50 bilhões, além de fazer uma acusação envolvendo um contrato de Wi-Fi e o PCC. Nunes confronta Haddad após debate por citação a contrato de Wi-Fi: 'seja homem e tenha responsabilidade'